
Direitos e deveres, todos temos, garantidos pela Constituição, não importando cor, sexo, credo.
Será assim mesmo ?
Inclusão de poucos... exclusão de muitos, assim que é .
A partir de desigualdades sociais ¨poucos muito tem ¨para ¨muitos pouco tem ¨, o povo da periferia se manifesta cantando, se manifesta dançando, na realidade se manifesta se manifestando, com suas gírias e seu modo próprio de ver a vida mas respeitemos outras tantas tribos de mais recursos , que pedalam, rodam, surfam ou colorem as ruas com as cores do arco-íris mostrando que um novo mundo é possível.
Povo. Periferia. Tribos. Tribeiros. Tribalistas .
Movimentos que já fizeram história construindo cidadania, derrubando barreiras, ampliando seu grito de inconformidade .
São ritmos, sons, jeitos e efeitos, linguagem própria, rapaziada de diferentes grupos ¨as tribos ¨com características musicais e filosóficas.
O meu ermão aqui na periferia todos nós temos nosso ¨trampo ¨, ninguém é ¨vagal¨. Para se entender um pouco mais ¨vamo nessa brodi ¨, a história ta ¨a pampa ¨, os ¨cara são fera ¨ são sangue bom ¨, a galera ta na maior ¨muvuca ¨, aqui não tem lugar pra ¨mané ¨. ¨Vamo nessa meu ¨ermão ¨, os cara, as mina , são tudo ¨casca grossa ¨, é tudo ¨profissional ¨
Radical parceiro esta nossa história .
E se alguém não entender que gíria é um canal popular de aproximação das pessoas rompendo os valores tradicionais, não entenderá jamais do povo da periferia.
ENREDO
A ¨ dança de rua ¨surge a partir da grave crise econômica americana de 1929, onde músicos e dançarinos ao perderem seus empregos, foram trabalhar nas ruas como sapateadores, estes os precursores do movimento.
Ao ritmo de músicos e sons negros nos guetos marginalizados americanos, a dança é incorporada, surgindo o funk music com James Brown , nos anos 60.
Mistura de mímica, artes marciais, ginástica olímpica, dança russa, indiana, capoeira, jazz, afro, o resultado final = street dance, dança de rua .
Em Nova York surgiria o break, um derivado desta mistura, que levaria ao surgimento de uma nova e marcante cultura, o hip-hop ( hop=saltar, hip= movimentando os quadris ) tendo como característica os três elementos : grafite ( artes plásticas ), a música ( rap = ritmo e poesia ) com DJ e MC e a dança ( lockin, poppin e b.boyin ).
Marginalizados da sociedade americana, os negros foram influenciados por líderes como Martin Luther King e Malcon X com suas propostas pelos direitos humanos, proliferando estes grupos.
Atravessaram a América, ocuparam vários países e com suas mensagens alternativas de vida centralizaram sua energia positiva em criações com letras marcantes e de teor social, chegando ao Brasil na década de 80, através das equipes de baile, das revistas e dos discos, sendo pioneiros Thaíde, DJ Hum, MC/DJ Jack, Racionais MC , Bill ,Gabriel, o Pensador ...
Perseguidos por toda ordem acabaram vencendo barreiras, organizando movimentos e suas funções, fazendo surgir oficinas culturais, profissionalizando novos integrantes , ocupando espaços na mídia .
O grito da periferia ecoa nas áreas carentes com mensagens positivas afastando jovens de descaminhos .
* E assim sempre com muito som , chegamos ao reggae oriundo da Jamaica, uma ex-colônia inglesa, que ao importar negros africanos, em suas bagagens trouxe ritmos, canções, danças e ritos, originando cantos religiosos e folclóricos .
Com a chegada do rádio transmissor e a sorte do vento a favor captavam ritmos centro e norte-americanos, curtindo calipso, rumba e cha-cha-cha e as big bands, jazz e rhythm’n blues .
Há o surgimento dos sistemas de som , uma revolução nos hábitos jamaicanos, fazendo a sonzera rolar. O ska, ritmo alucinante com batidas constantes, logo após o rock steady, falando nos guetos, no amor e o culto ao rastafarianismo.
O reggae surgiu desta mistura e quando o baixo passou a marcar o ritmo. O mundo o conheceu por Bob Marley e Jimmy Cliff, tornando-os sucesso e prestígio no planeta .
Aqui em nosso país o Maranhão é o reduto cultural do reggae brasileiro e cultuamos Maskavo,Tribo de Jah, Alma de Jah, Armandinho, Chimarruts, Leões de Israel.
* Estilo controvertido oriundo dos blues e da country music americana , o rock’n roll nasceu nos Estados Unidos gerando polêmica pela atitude transgressiva anti-social e a rebeldia que ocasionava em seus fãs. Roqueiros como Bill Haley e Chuck Berry, tornaram-se sucesso e ao mesmo tempo odiados pelos conservadores .
Numa escalada alucinante transformou-se em rockbilly, punk, hard rock, heavy metal, passando a ser produto de mídia, tornando-se negócio lucrativo.
Rebeldia, atitude, multidões seguidoras dos novos conceitos... Elvis, Rolling Stones, Beatles, Jimmy Hendrix chegando a Woodstock...fãs, fãs, o mundo virou de cabeça para baixo ...
No Brasil com mais de 50 anos de história, Nora Ney gravou o primeiro rock ¨Rock around the clock ¨de Bill Halley, trilha do filme ¨Ao balanço das horas ¨sucesso estrondoso no país e no mundo. Surgem a partir daí cantando rocks Cauby Peixoto, Tony e Celi Campelo, Jovem Guarda com Roberto e Erasmo Carlos, Rita Lee e Os Mutantes e hoje Paralamas, Skank, Nenhum de Nós, Capital Inicial, Comunidade, J.Quest, Titãs, TNT , Alemão Ronaldo ...
Definir por palavras impossível ... o fato mais marcante com certeza o Rock In Rio.
Guitarras, baixos, baterias, Fm’s, efeitos de toda ordem .
Arrastando multidões, ele está e segue muito vivo .
* Surgido na Califórnia nos anos 60, oriundo dos surfistas que ao abandonarem a prática criaram tábuas e colocaram rodinhas ¨os shapes ¨, primitivos skates para surfar em terra firme.
Com os primeiros skatistas a manobra era o free style .
Surge a industrialização, a comercialização e as competições .É o auge, década de 70.
Com a alteração de rumos , entre outros de pistas fechadas, os verdadeiros skatistas criam a modalidade ¨street ¨, rua, onde os obstáculos eram variados .
Ao mesmo tempo com o racionamento de água na Califórnia, as piscinas esvaziadas passaram a ser usadas como pistas, nascendo a modalidade vertical.
Novo auge, inovação no material, pistas em ¨u ¨, os half pipes. O skate retorna com toda a força.
Sua linguagem é universal... manobras, flip’s, rampas, 360º., revistas, filmes, livros, produtos, novos talentos. O circuito passa a ser mundial, mexe com multidões , grandes mercados foram criados .
É amador nas praças , é profissional pelas pistas do mundo.
Os brasileiros arrasam , tornando-se multi-campeões .
* Ainda pela Califórnia surge ao final dos anos 70 por um grupo de jovens ciclistas, o mountain biking primeiro freqüentou montanhas para posteriormente invadir trilhas e estradas de terra, despencando morro abaixo e uma linguagem própria foi adicionada : câmbio, pneus maiores e freios mais eficientes .
Jovens ávidos por novas emoções criaram formas básicas das mountain bikes surgindo a partir de então novas modalidades e os limites sendo batidos a cada momento.
Como esporte cresceu rapidamente pelo fato de aproximar pessoas e natureza gerando prazer, adrenalina e contribuindo no condicionamento físico, ao ponto de ser incluído como esporte olímpico a partir dos jogos de Atlanta em 1996.
Consolidado com forte apoio privado e público espalhou-se pelos parque, pelas avenidas , percorras as noites da cidade e veja os pedaladores noturno em grande grupos .
Já nos velódromos o surgimento de uma gama de super-atletas .
A bike mantém uma fiel galera, uma grande tribo .
* O primeiro triciclo a motor surgiu em 1884 e era inglês e o que primeiro apareceu em público era alemão, mas ambos sem grande repercussão.
As primeiras motocicletas era bicicletas movidas a motor e após correções já com novas características foram amplamente usadas militarmente nas duas guerras mundiais .
Teve seu crescimento pela indústria britânica, sendo que a indústria japonesa tornou-se a maior do mundo com famosas marcas.
Nos anos 60 dois grandes momentos :
* jovens moderninhos foram influenciados pela lambreta, moto que marcou época no Brasil
* o rebelde Peter Fonda imortalizou a Harley Davidson, no filme ¨Sem destino ¨
Com a Honda e a Yamaha lançando motos com diversas cilindradas, a febre se espalhou originando campeonatos mundiais com público fiel. Sem falar em provas regionais e as nossas tribos da periferia ¨os motoboys ¨e seus prestimosos serviços para todo tipo de entrega.
Marcas famosas.Pilotos.Provas.Macacões coloridissimos.
Não importa qual a tribo a da periferia ou dos grandes GPS ...
Cuidados com os equipamentos de segurança, são essenciais .
* Numa relação de amor a liberdade e ao mar, surgem os ¨surfistas ¨ , seu carinho com o equipamento , suas pranchas e o som que sempre rola nas areias coloridas.
Devido a nossa costa atlântica , desenvolvemos uma geração de domingueiros , de finais de semana , que pegam as ondas .
Campeões por onde passamos , também neste esporte lá estamos no pódio da glória , apesar ainda de algumas praias não respeitar as áreas delimitadas para o surfe e para a pesca .
Como manda a geração que surfa todas as ondas.
Parafinando a galera , se instalam e curtem sua tribo .
* Nova tribo , verdadeira de fé , é o basquete de rua , marca americana mas que hoje ocupa grande parte dos países, encontrou aqui no Brasil uma verdadeira legião de jogadores de rua, com suas regras próprias, onde o som rola solto , as exibições nas canchas de rua proliferam e os campeonatos começam a tomar jeito e forma .
A Libra –Liga Internacional de Basquete de Rua tem sua parceria com a Cufa, esta uma entidade que tem nas comunidades sua verdadeira história e aqui no país a Liga Urbana de Basquete , organizando as apresentações, os verdadeiros shows esportivos e de muito som .
* Verdadeira febre nacional e até produto de exportação , tamanho o grupo de ritmistas , a tribo dos pagodeiros, por onde se passa os encontramos , em cada esquina, em cada bairro ...lá estão eles, com cavaco, tantãn, repique de mão e o que for .
Como o samba tem em nosso país a grande explosão , dos blocos aos ranchos e as escolas de samba , surge nestas variações : o partido alto, o samba de morro , o samba de terreiro, samba canção, o choro, o samba de breque , de exaltação, gafieira, samba-reggae, sambão, samba de enredo ... e os pagodes e seus pagodeiros .
* Falar em igualdade , falar em respeito tudo muito bonito, tudo muito bacana , mas e os gays, lésbicas, bissexuais,travestis e transexuais ? Sim amigo , uma grande tribo, com seus jeitos, trejeitos onde imperam as cores e os brilhos que buscam nas diferenças a luta por verdades. Preferência não é doença , deixemos de ser hipócritas . Estão ai defendendo seus direitos , a ABGLT, AGGLT, a NUNANCES e tantos outros reforçando a auto-estima empunhando a bandeira colorida do arco-íris ¨pode ser igual, pode ser diferente, tenha orgulho de sua preferência , afinal toda união é legal .
Assuma, afinal você é cidadão. Participe de todas as campanhas, de todos os eventos, de todas as paradas , proteste, denuncie e apesar dos narizes torcidos, SEJA FELIZ .
Hoje na aldeia global que vivemos em que a periferia se confunde com o próprio asfalto, em que o morro e os bacanas vivem e convivem, o grito é de igualdade , de fraternidade.
São as tribos de diversas correntes ocupando cada uma seu espaço a dos menos favorecidos canta seu canto de lamento, seu canto de manifestação... e a dos ¨mais favorecidos ¨com seu público próprio.
A IMPERADORES DO SAMBA se une a estes movimentos, a estas tribos e com um enredo com uma cara nova , moderna, sem rancores ou racismos , sem preconceitos , com jeito de povo , escuta este grito e canta a mensagem pela Paz ! Como a periferia quer!.